Facas Wusaki Damascus VG10: o que o aço VG10 muda concretamente na cozinha
A gama Wusaki Damascus VG10 é construída em torno de um núcleo de aço japonês VG10 — desenvolvido pela Takefu Special Steel Co. no Japão — que contém cobalto, vanádio e molibdénio além do carbono. Esta composição não é um detalhe de marketing: é o que permite ao VG10 atingir uma dureza entre 60 e 62 HRC sem a fragilidade que afeta outros aços de alta dureza. Resultado prático — um fio afiado a 15° por lado que mantém o corte durante meses de uso regular antes de precisar de reafiar.
A gama cobre as lâminas essenciais: faca de chef (20 cm), santoku em aço damasco, faca de trinchar, faca multiusos e lâminas especializadas. Cada geometria responde a um uso diferente — o santoku com ângulo de corte simétrico é preferível para legumes e peixe, enquanto a faca de chef com talão mais alto facilita o corte de proteínas densas. Escolher o modelo certo importa mais do que ter uma coleção completa.
67 camadas de aço damasco: o que justifica este número
O núcleo VG10 é envolvido por 67 camadas de aço damasco obtidas por dobragem e soldadura por forja. A alternância entre camadas duras e camadas mais flexíveis cumpre duas funções distintas: absorver impactos laterais que um núcleo puro a 60 HRC não suportaria sem risco de microfissuras, e criar o padrão visual ondulado que distingue estas facas visualmente. O martelamento manual — visível na superfície da lâmina — reduz a zona de contacto entre o aço e o alimento, o que limita a aderência em cortes finos de batata ou de peixe com pele.
Este tipo de construção laminada é comum nas facas japonesas de gama média-alta, mas a qualidade do resultado depende do controlo do processo térmico durante a forja. Um tratamento térmico mal executado anula os benefícios da composição do aço. A Wusaki fabrica as suas facas numa oficina em Guangdong, região com longa tradição no trabalho de ligas ferrosas, com inspeções dimensionais e de dureza por lote.
Cabo em madeira de oliveira: densidade e comportamento real
O cabo é fabricado em madeira de oliveira selecionada, com uma densidade entre 0,85 e 0,95 g/cm³ e um teor natural de óleos que limita a absorção de humidade. Na prática, um cabo de oliveira bem tratado não incha nem racha com a alternância de securas e humidade que caracteriza o ambiente de uma cozinha ativa. É também mais pesado do que as madeiras claras habitualmente usadas em cabos de cozinha, o que contribui para o equilíbrio da faca no ponto de apoio entre o polegar e o indicador.
Cada peça apresenta veios diferentes — a oliveira não tem um padrão uniforme, ao contrário de madeiras de engenharia. Isto significa que nenhum cabo é idêntico ao seguinte, o que tem valor real para quem trabalha com a faca diariamente e não apenas para quem a expõe numa vitrine.
Como escolher entre os modelos Wusaki
Faca de chef 20 cm — polivalente, recomendada como primeira aquisição. Funciona do alho às abóboras sem adaptação de técnica. Santoku — melhor para cortes em “push cut” (empurrar para baixo sem arrastar). Ângulo mais fechado, ideal para queijos semi-curados e legumes de raiz. Faca de trinchar — lâmina mais estreita e comprida para cortes longos em peças de carne assada ou presuntos.
Manutenção de facas Damascus VG10: o essencial
Um erro comum com facas de alta dureza é colocá-las na máquina de lavar loiça. A combinação de detergente agressivo, temperatura elevada e choques mecânicos degrada o fio e pode provocar microoxidações na zona da espiga. Lavagem à mão com água morna e secagem imediata são suficientes. Para a afiação, uma pedra de água de grão 1000/3000 adequada ao VG10 — como as pedras de corindo sintético japonesas — recupera o fio sem remover material desnecessário. Uma afiadeira de couro em couro nu, usada regularmente, prolonga o intervalo entre afiações completas.
O armazenamento numa barra magnética ou numa caixa protetora preserva o fio. Guardar as facas Wusaki Damascus VG10 numa gaveta sem proteção, em contacto com outros utensílios, é a forma mais rápida de perder o investimento feito num aço de 60 HRC.
Para quem procura uma faca com desempenho de corte real acima dos 50–80€, sem entrar nos preços das marcas japonesas premium como Shun ou Miyabi que partem dos 150–200€ por lâmina, a gama Wusaki posiciona-se num segmento interessante: construção técnica sólida, núcleo VG10 verificável pela dureza, e acabamento que não envergonha numa cozinha profissional.